Para retaliar Maia, governo oferece pacote de cargos ao centrão

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, entrou em rota de colisão com o governo federal

O governo federal ofereceu a expoentes do centrão a chefia de três importantes feudos de indicações políticas. Por trás do movimento, que corre nas últimas duas semanas, há a intenção de fortalecer uma ala que rivaliza com Rodrigo Maia (DEM-RJ) a sucessão na Câmara dos Deputados: PP, PL e Republicanos.

A Codevasf, com orçamento de R$ 1,62 bilhão, tem superintendências cobiçadas por políticos e hoje é controlada por Marcelo Andrade Moreira Pinto, indicado de Elmar Nascimento (BA), ex-líder do DEM na Câmara.

Já o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), com verba de R$ 54 bilhões, chegou a ser controlado de agosto a dezembro do ano passado por Rodrigo Sergio Dias, indicado do PP. Em janeiro, foi nomeada para a presidência a gestora Karine Silva dos Santos, devido ao “perfil técnico”, segundo o Ministério da Educação.

O Banco do Nordeste, com orçamento de R$ 29 bilhões, é alvo de especulações desde o início do governo Bolsonaro. O atual presidente é Romildo Rolim, apadrinhado de Eunício Oliveira. Em maio do ano passado, o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), chegou a ser procurado para indicar um nome para o órgão, mas a negociação acabou não indo para a frente.

Na semana retrasada, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), vice-presidente da Câmara e candidato à presidência em 2021. Também esteve no Palácio do Planalto o líder do PL, Wellington Roberto (PB). Roberto é aliado de Arthur Lira, que também pleiteia o posto de presidente da Câmara dos Deputados.

Maia já deixou claro que não endossaria uma candidatura de Lira ou Marcos Pereira para sucedê-lo. Um dos mais cotados como apadrinhado de Maia nesta eleição é Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da maioria na Câmara.

A movimentação do governo aconteceu em meio a uma indisposição com o presidente da Câmara pelas críticas que ele fez a Bolsonaro na gestão da crise do coronavírus. As declarações de Maia fizeram também com que o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, o excluísse da negociação do socorro aos estados no Congresso.

Natália Portinari – O Globo

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