ACM Neto defende dar “voto de confiança” em Bolsonaro

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Presidente nacional do DEM, ACM Neto defendeu dar um “voto de confiança” no presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em entrevista à GloboNews, o prefeito soteropolitano afirmou que o seu partido não vai “alimentar brigas e embates políticos”. Para Neto, o momento é de diálogo para superar a crise do coronavírus.

“Se ele (Bolsonaro) optar por um caminho de brigar com prefeitos, governadores, Congresso, a mídia, não vai conseguir superar a crise da forma que o Brasil precisa. Eu prefiro acreditar e apostar na maturidade e na responsabilidade. Eu dou esse voto de confiança. Se lá na frente não aproveitar esse voto de confiança, a gente volta a conversar e não tenha dúvida que terei uma crítica contundente caso o caminho não seja esse”, declarou. “Neste momento, não é o desejo nosso colocar lenha na fogueira. A gente quer, pelo contrário, que haja diálogo entre os poderes”, emendou. Ontem, em entrevista à imprensa, Neto afirmou ainda que a discussão sobre um eventual impeachment de Bolsonaro “atrapalha o país e coloca lenha na fogueira”. “No meio dessa pandemia (do coronavírus), seria muito ruim colocar em dúvida a continuidade do governo”, pontuou. O democrata, que se reuniu na última quinta-feira com o presidente, negou que tenha tratado de cargos.

Segundo a imprensa nacional, após o encontro, ficou acertado que o DEM manterá o comando da Companhia de Desenvolvimento dos Valores de São Francisco e Parnaíba (Codevasf). “Nós estamos conversando com o presidente em alto nível. O Democratas não está discutindo cargos. Não vai aceitar jamais tratar desse tipo de coisa. Nós temos uma posição bastante distante em relação a outros partidos, mas também não me cabe avaliar o que cada um pretende”, pontuou. “Eu fico horrorizado quando vejo essas notícias pela imprensa de troca de cargos, de favores, de negociações com A, B ou C. Sou contra”, acrescentou, em entrevista à GloboNews.

Neto disse que, apesar de não ser indicação do seu partido, a manutenção da deputada federal Tereza Cristina (DEM) no comando do Ministério da Agricultura é “importante para o Brasil”. “Quem ganha com isso é o país. Não é o Democratas. Em relação ao partido, o presidente está absolutamente à vontade para demitir ou nomear quem quer que seja. Em nenhum momento, nós participamos de qualquer tipo de negociação de cargos e não faremos até o fim do governo do presidente Jair Bolsonaro”, frisou.

O prefeito também falou sobre as denúncias do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. Na semana passada, o ex-juiz da Lava Jato acusou Bolsonaro de tentar “interferir” na Polícia Federal. A intervenção seria para proteger os filhos do presidente. “Enquanto antes o ex-ministro possa apresentar elementos, caso os tenhas, é melhor porque a gente vai avançando nessa polêmica”, afirmou. “Nós não concordamos que se tenha qualquer tipo de interferência no trabalho da Procuradoria Geral da República, do Supremo Tribunal Federal ou da Polícia Federal. Tudo que tem quer investigado terá que ser investigado. O governo não pode estar a serviço da família do presidente. O governo não pode estar a serviço da proteção dos filhos do presidente”, acrescentou. Neto disse ainda que defende a “autonomia e a independência” da PF. “Não é razoável que nem o presidente nem ninguém queira determinar as ações da polícia federal”, frisou.

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