Eduardo Salles- NÃO É PRUDENTE TERMOS CARNAVAL EM 2022

O aumento da oferta de vacinas e a grande adesão da população à imunização contra a COVID-19 permitiu que grande parte das atividades econômicas fossem retomadas. A sensação na maioria do país é que a vida voltou à normalidade, assim como vivíamos no período que antecedeu a pandemia. Mas o setor de entretenimento, cultura e lazer, porém, ainda sofre com restrições.

Não há como negar a importância deste segmento. Segundo o Ministério da Economia, o setor representa 13% do PIB nacional e amargou em 2020 prejuízos estimados em R$ 270 bilhões, o que causou o desemprego de três milhões de trabalhadores.

Os números catastróficos para o setor, no entanto, não podem contaminar o debate sobre a realização do Carnaval 2022. Estamos ainda em pandemia com números de mortos que, apesar de bem menores do que os registrados no primeiro semestre, ainda, mesmo com a vacinação, chegam à média de 200 óbitos diários.

Procuro sempre me colocar em qualquer debate longe de posições extremadas e que em nada contribuem para encontrar soluções. Mas como homem público e representante do setor produtivo, faço questão de marcar posição neste momento de intenso debate sobre a realização do Carnaval em 2022.

Como presidente da Frente Parlamentar do Setor Produtivo, trabalhei em conjunto com a ABRASEL (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) para a reabertura dos estabelecimentos e extensão do horário de funcionamento no primeiro semestre deste ano. Mas fizemos tudo isso obedecendo critérios sanitários e protocolos estabelecidos.

A realização do Carnaval, principalmente nos grandes centros da folia como Salvador, Recife, Olinda, Rio de Janeiro e São Paulo, na minha opinião e da maioria dos médicos infectologistas, não pode ser comparada à abertura de estabelecimentos ou realização de pequenos eventos em ambientes controlados com certificação de vacinação.

Não há um único folião que desconheça a tradição baiana de batizar a gripe pós-carnavalesca com o nome da música vencedora da folia. Todos nós, pulando o Carnaval ou não, conhecemos alguém que foi infectado durante os dias de momo, seja na família, no trabalho ou qualquer outro círculo social.

Como poderemos realizar uma festa que reúne dois milhões de pessoas, de diversos locais do mundo, durante seis dias, e garantir o mínimo de segurança de que não teremos um novo surto de COVID-19, colocando em risco tudo o que já conseguimos caminhar até o momento?

Após mais de 600 mil mortos, é justo arriscarmos mais vidas? Vale a pena correr o risco de termos que fechar novamente estabelecimentos por causa de uma nova onda de infecção que pode ser causada pela realização do Carnaval?

Mesmo reconhecendo as dificuldades do setor cultural, de lazer e de entretenimento, acredito que neste momento devemos colocar na balança os riscos de perdermos mais vidas e prejudicar, a médio e longo prazo, o setor produtivo.

A minha defesa pela suspensão do Carnaval em 2022 não significa, contudo, não olhar para o setor. É preciso que o poder público Federal, Estadual e Municipal proponham políticas públicas compensatórias para os trabalhadores deste segmento, que têm neste período um momento de agenda cheia e garantia de emprego e renda.

Reafirmo que reconheço as dificuldades de empresários e trabalhadores da área cultural, mas a hora ainda é de prudência, sob pena de pagarmos um preço ainda maior. As diferentes variantes do novo coronavírus e as ondas de infecção em outros países são motivos mais do que suficientes para mostrar que ainda não é o momento de ir à rua pular Carnaval.

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