Rui Costa evita falar sobre morte de miliciano na Bahia

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O governador da Bahia, Rui Costa (PT), evitou falar, ontem, sobre a morte do ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega

Por: Rodrigo Daniel Silva

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), evitou falar, ontem, sobre a morte do ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, que era acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio de Janeiro. O ex-PM também teria envolvimento na morte da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), e era citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro, quando era deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro na (Alerj).

“Eu não quero falar sobre isso. Eu não quero politizar um assunto que não tem, a meu ver, nada de político. É um assunto que está sendo tocado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, pelo Ministério Público da Bahia, pela Polícia Civil do Rio e pela Polícia Civil da Bahia. Isso é um assunto policial. Não fico comentando as operações policiais ou os processos policiais”, declarou.

Nas redes sociais, houve reação a morte do miliciano. O deputado federal Paulo Teixeira (PT) questionou se o caso não foi “queima de arquivo”, já que Adriano da Nóbrega poderia explicar o crime contra a vereadora. “Eu não sei. Não tenho conhecimento se é arquivo vivo ou arquivo morto. Isso cabe ao Ministério Público do Rio e da Bahia. Os dois estavam acompanhando a apuração. Mais as duas polícias civis. É quem entende do caso. Eu não vou ficar aqui especulando, sem ter conhecimento de causa. Meu jeito de ser não permite isso. (…) A minha atribuição é colocar a polícia para funcionar, equipar, garantir a atuação cidadão. (…) As melhores pessoas para falar disso são eles e não eu”, declarou Rui, em entrevista à imprensa, durante a inauguração da policlínica de Barreiras, no oeste baiano.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Adriano foi encontrado no município baiano de Esplanada. Ainda segundo a SSP-BA, quando os policiais chegaram, o miliciano teria efetuado disparos e, na troca de tiros, teria sido ferido. Ele teria sido levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O sociólogo e estudioso das milícias, José Cláudio Souza Alves, levantou suspeita sobre a operação. “Não há plausabilidade na situação descrita pela polícia de que ele teria reagido, se ferido e acabado morto. Na minha visão, é uma operação suspeita”, disse o especialista, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Ontem, o secretário de Segurança Pública, Mauricio Barbosa, defendeu a operação. “Estávamos diante de uma pessoa de alta periculosidade, envolvidos em diversos crimes e com treinamento de tiro, pois chegou a ser um policial de operações especiais. Óbvio que queríamos efetuar a prisão, mas jamais iríamos permitir que um dos nossos ficasse ferido ou saísse morto do confronto”, enfatizou Barbosa, em vídeo divulgado pela assessoria de imprensa.

Adriano da Nóbrega foi encontrado no sítio do vereador Gilsinho de Dedé, do PSL, partido que pertencia ao presidente Jair Bolsonaro. Ontem, a Executiva do partido na Bahia afirmou que o legislador se filiou antes de 2018, quando Bolsonaro entrou na legenda. O vereador é irmão do deputado estadual Alex Lima (PSB) e ingressou na sigla quando esta ainda integrava a base de Rui Costa. “O vereador Gilsinho da Dedé, assim como outros vereadores que foram eleitos antes de 2018, está aguardando a janela partidária para migrar para outra sigla. O diretório estadual do PSL Bahia nunca teve contato com o edil”, informou a Executiva do PSL-BA.

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