Rui Costa diz que Moro flertou com amotinados no Ceará

Rui Costa disse, ontem, que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, flertou com os policiais militares que fizeram motim no Ceará

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), disse, ontem, que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, flertou com os policiais militares que fizeram motim no Ceará. “Não tenho dúvida disso. Tivemos as declarações dele dizendo que os policiais amotinados não podiam ser julgados. Isso não é fazer justiça. Não entendo uma declaração dessa de um ministro da Justiça”, declarou o petista baiano, em entrevista ao jornal O Globo. Durante os 13 dias que os PMs cruzaram os braços, o estado registrou 312 homicídios.

Rui Costa ainda falou sobre a articulação dos governadores para enviar tropas, caso Bolsonaro não ajudasse o Ceará. “O que os governadores do Brasil têm tido, independentemente de diferenças político-partidárias e ideológicas, é uma atuação unificada em defesa da democracia, da federação, do estado de direito. Assim como houve indignação geral quando o presidente tentou jogar a população contra os governadores na questão dos combustíveis, houve também com as palavras de pessoas do governo federal que beiravam ou tangenciavam apoio ao movimento. Tivemos palavras dúbias até do ministro da Justiça quando a população estava sendo assassinada no Ceará. É inconcebível que um presidente da República não seja solidário com a população de quase 9 milhões de habitantes. Estávamos no grupo de WhatsApp dos governadores só esperando uma negativa oficial para prestar apoio”, ressaltou.

Segundo o governador baiano, a postura anti-institucional de Bolsonaro tem unido os governadores. “É um ataque sistemático ao pacto federativo, um ataque sistemático à democracia. No caso do Bolsa Família (em que o Nordeste e Norte foram as regiões com menos pessoas habilitadas, apesar de terem a maior parcela da população mais pobre), ocorre um desrespeito à lei, que estabelece prioridades. A gente tem ouvido de forma crescente dos prefeitos que as pessoas voltaram a passar fome, a pedir cesta básica. É um nítido sinal de aumento da pobreza e da extrema pobreza”, ponderou.

Rui Costa também voltou a se manifestar sobre a morte do miliciano Adriano da Nóbrega, durante operação da polícia baiana na cidade de Esplanada. O petista disse que não conseguia entender o motivo do presidente e a sua família se manifestaram sobre o caso. “Um dia espero poder saber porque o interesse tão grande da família do presidente da República por um criminoso até porque eles sempre disseram que bandido bom é bandido morto. Não sei se a preocupação com a morte ou com o que eventualmente viesse a ser descoberto com o material que foi encontrado com ele”, ressaltou. O governador voltou a defender a operação que resultou na morte do miliciano no dia 9 de fevereiro. “Tive oportunidade de ouvir relatos da área de segurança, dos peritos da Bahia, que são técnicos. O relato coincide com o dos policiais que participaram da operação. Não vejo nenhum motivo para ter nenhuma discordância da atuação policial”, pontuou.

O governador voltou a defender a defesa pela renovação do PT. “Teve um período que o PT foi governo e teve um certo descolamento, com falta de funcionamento de núcleos de base. Eu percebo a volta desse sentimento. Há jovens entrando. Defendo que haja uma mudança geracional forte do partido”, salientou. “A questão da capilaridade e da inserção social é fundamental para o partido voltar a ter força na sociedade”, emendou.

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