Ford convoca trabalhadores para produção de peças

Sindicado recomenda que ninguém atenda à convocação até que as negociações sejam concluídas.

A montadora norte-americana Ford enviou uma carta aos funcionários da fábrica de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador (RMS) afirmando que vai convocar um grupo para produzir peças para o mercado de reposição, mas “por alguns meses”. O informe, liberado na última sexta-feira, veio menos de uma semana após a empresa decidir pelo encerramento das atividades no Brasil.

A decisão, além da planta baiana, afetou outra unidade da automotora, localizada em Taubaté, no interior de São Paulo, para onde a mesma carta foi enviada pela Ford, também na semana passada. O problema é que a situação ocorre ao mesmo tempo em que a montadora vem realizando negociações para pagar os milhares de trabalhadores que foram pegos de surpresa com o fim das operações no país.

Conforme os sindicatos que representam as categorias nas cidades baiana e paulista, ainda não houve apresentação de propostas pela empresa norte-americana. Enquanto a fábrica de Camaçari produzia os veículos Ka e EcoSport, a unidade de Taubaté – distante 130 km da capital, São Paulo – estava responsável pela produção de motores.

“Como a empresa quer que o trabalhador aceite isso depois de levar um tapa na cara e não ter recebido nenhum pedido de desculpa?”, indagou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, ontem. Por isso, a recomendação, até então, é a de que ninguém atenda à convocação até que as negociações sejam concluídas.

A reportagem da  TB  entrou em contato com o dirigente por algumas vezes na parte da tarde de ontem, por telefone, mas não obteve sucesso. De acordo com o site do Sindicato, Bonfim viajou para Brasília com uma comissão liderada pelo governador da Bahia, Rui Costa, para reuniões com as embaixadas de Japão, Índia e Coreia do Sul, com o objetivo de buscar empresas interessadas em ocupar as instalações do parque industrial – uma delas seria a Caoa, parceria da chinesa Chery.

Hoje, a expectativa é a de que haja um encontro entre a organização e o Ministério Público do Trabalho (MPT), no qual devem ser passadas todas as informações sobre as discussões com a Ford e a visão do Sindicato sobre o fechamento da fábrica. Para amanhã, está prevista a realização de uma grande assembleia, às 6h, em frente ao Complexo Ford, onde serão repassadas todas as informações sobre a situação das negociações e da fábrica aos trabalhadores.

Por nota, a Ford disse apenas que “estão acontecendo reuniões com os sindicatos de Taubaté e Camaçari e no momento não tem nada adicional para anunciar”.

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