Vovô do Ilê confirma pré-candidatura e diz que não quer “novo apartheid”

Por Rodrigo Daniel Silva

Pré-candidato a prefeito de Salvador, Vovô do Ilê (PDT) disse, ontem, que, se for eleito, não vai criar um apartheid inverso. O apartheid foi um sistema de segregação da população negra que aconteceu na África do Sul. “A ideia não é fazer um novo apartheid trabalhando apenas para o povo negro. É trabalhar para a cidade. O que vamos fazer diferente é que Salvador é uma cidade negra e parece que às vezes é uma cidade europeia. Chega em um lugar de comando não tem um negro. Não tem negão competente para ocupar uma prefeitura? Uma secretaria? Um prefeito negro ou uma prefeita negra não vai criar um apartheid”, ressaltou, em entrevista à rádio Câmara Salvador. 

Vovô do Ilê declarou que a ideia de candidatura negra surgiu em 2006, quando em discurso em um evento disse que “queria ela”. “No momento, estamos fortalecendo a campanha ‘eu quero ela’. Nós sabemos da dificuldade que vamos enfrentar. Eu quero ela é a cidade de Salvador. Não é admissível que na cidade negra, na Roma Negra, não ter um prefeito negro. Somos maioria e nunca paramos para discutir isso em Salvador”, pontuou. “É a primeira vez que estamos indo pro jogo e dizendo que queremos ela. Desde que a Bahia é a Bahia, nós somos criados achando que não somos unidos. É colocado que somos inferiores. Isso demanda um tempo para mudar”, acrescentou.

O dirigente do bloco Ilê Aiyê salientou que não está definida sua candidatura no PDT. “Nenhum nome está batido martelo. Estamos discutindo. Está todo mundo se bulindo. Mas o negócio não é brincadeira. É vero”, assegurou. Presidente da Executiva Municipal do PDT, Alexandre Brust afirmou que a decisão será da militância. “Já temos nomes no partido que se anunciam nessa direção da disputa pela prefeitura, como o companheiro, presidente estadual do PDT-Bahia, Félix Mendonça Júnior, nosso candidato natural. Mas todos serão analisados e no momento adequado haverá a decisão. No final, quem decide o candidato no PDT é o povo, é a militância. Indicação para disputa eleitoral no PDT não é algo dado, é algo a se conquistar”, afirmou.

Vovô do Ilê também falou do carnaval de Salvador. Defendeu mais espaços para os blocos afros e destacou a relevância do programa Carnaval Ouro Negro, do governo do Estado. “O Ouro Negro não é de todo ruim. Se não fosse o Ouro Negro, muitas entidades não iriam sair. O que nós questionamos é que pode ser aportado um volume de verba maior, principalmente, para atender as entidades maiores. Mas o Ouro Negro ajuda bastante”, disse, ao pedir que o governo pressione empresas a doarem para blocos afros.

Vovô do Ilê justificou porque só negros desfilam no bloco. “No bloco, é. No projeto social, não. Tem muito branquinho, loiro. No bloco (só tem negros), continua porque eu não me sinto contemplado (com o pouco espaço ocupado por negros)”, pontuou. Ele afirmou que o bloco não tem interesse em desfilar na Barra, mas defendeu a revitalização do Campo Grande.  “Não temos interesse em ir para Barra. Há charme no desfile no Centro Histórico. Mas a prefeitura e o governo têm que prestar atenção porque a coisa está ficando complicada (no Campo Grande). Não vai concentrar todo mundo na Barra. Uma coisa interessante também é investir mais nos carnavais de bairro, botando atrações. Vai ajudar o mercado informal”, frisou.

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