“Não vou precipitar nada, vou esperar que os treinamentos falem. Ele voltou acima do padrão normal, muito acima da minha expectativa. Eu esperava muito menos dele porque é um processo de retomada. O atleta diferente vai retomar mais aceleradamente, vai passar etapas. Se ele cair num jogo e seu desempenho for mais baixo… Ele vai ter oscilações que teve nos treinamentos até estar no padrão normal no terceiro ou quarto jogo. Vai acontecer.”

O treinador revelou que foi Neymar quem disse que entrar no segundo tempo da partida contra a Croácia era melhor para ele do que sair jogando. “A decisão foi minha, mas é de um planejamento”, afirmou Tite.

Apesar de a equipe não ter ido bem com Fernandinho, o treinador evitou dizer se, com Neymar em forma, ele vai escalá-lo ao lado de Philippe Coutinho e Willian. “Tenho que ter observações, dados estatísticos, uma análise secundária. A primeira é de sentir o jogo, é visual. O Couto deu essa possibilidade. Willian está muito bem. Neymar voltou bem. Passa a ser uma possibilidade, mas, por mais ansioso que eu possa ser, tenho que dar tempo de recuperação e trabalho. Mas que passa a ser uma possibilidade real, isso sim”, disse. ” Mas vencemos a Alemanha com Fernandinho e Coutinho (jogando) por dentro.”

Tite reconheceu que a seleção brasileira teve problemas no jogo contra a Croácia, no Anfield Road, mas credita as dificuldades à qualidade do adversários e não a deficiências de sua equipe. Ele entendeu que o amistoso em Liverpool foi um bom teste para a Copa e que vai dar contribuições importantes para deixar o time pronto.

Para ele o jogo com os croatas foi de alto nível, pela “qualidade técnica muito alta das duas equipes”. Tite avaliou que jogadores como Modric, Neymar e Philippe Coutinho, entre outros, garantiram a grandeza do espetáculo. “Tivemos dificuldades, uma marcação curta e acelerada da Croácia, dificultando nossa saída de bola e criando chances. Mas é nossa ideia de futebol e assim corremos risco. É inevitável”, disse.

O treinador admitiu que Fernandinho não esteve bem. O volante do Manchester City jogou o primeiro tempo, mas apesar de ajudar na marcação, não conseguiu dar a dinâmica na saída de bola esperada por Tite nem liberou os avanços de Marcelo. “Ele participou nesse jogo pouco, não como um conceito porque ele é articulador e tem bom passe. Quando tu enfrenta jogos de alto nível, em termos estratégicos o adversário vai estar melhor em alguns momentos. A Croácia foi melhor em parte do primeiro tempo”, reconheceu.

O técnico do Brasil, porém, ressaltou o bom momento defensivo do time que, quando se viu pressionado, praticamente não permitiu que a Croácia ameaçasse a meta defendida por Alisson. “Tem um texto do Manel Estiarte que diz: ‘Quando o adversário estiver melhor, se agarra no pescoço dele. Não sofre gol.’ No intervalo eu perguntei se queriam enfrentamento difícil. A marcação foi boa, o Modric saía do Fernandinho quando a bola rodava, agredia a marcação e cortava linha de passe. Não conseguimos furar essa primeira linha, quando conseguimos eles mataram com faltas. Depois o ritmo vai baixando. Mas esses aspectos todos contam.”

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