“O PP, com certeza, marchará com Rui Costa na eleição de 2022”

Em entrevista á Tribuna o novo presidente da UPB afirma que a chapa ideal é Jaques Wagner (governador) e Otto Alencar (vice), e o nosso senador Cacá Leão.

Por Guilherme Reis, Rodrigo Daniel Silva e Paulo Roberto Sampaio Tribuna da Bahia

Novo presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP) afirma ter “certeza” de que o seu partido marchará com o grupo liderado pelo governador Rui Costa (PT). Em entrevista à Tribuna, ele ainda faz um desenho da chapa ideal para disputar o governo em 2022. “A chapa ideal é Jaques Wagner (governador) e Otto Alencar (vice), e o nosso senador Cacá Leão”, pontuou. 

Zé Cocá avaliou que a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao jogo político, com a anulação das condenações, altera todo o cenário político. “Ele é um forte candidato. Um homem que tem uma história de luta, presidente por dois mandatos, o presidente mais bem avaliado da história do Brasil, se olhar os dados. Não estamos falando de um cidadão comum. Estamos falando um homem que tem uma história muito grande e, com certeza, será um grande candidato agora em 2022”, declarou.

Sobre a situação dos municípios, o pepista afirmou que a situação é complicada:” Nós temos um problema seríssimo de INSS. No ano passado, o governo federal parou de cobrar o patronal dos municípios. E, por conta de acabar a questão (o prazo) do decreto, o governo federal vem descontando 100% destes débitos do ano passado nas contas dos municípios. Os municípios da Bahia estão pagando um custo altíssimos. Essa é a nossa pauta”, disse.

Ainda na entrevista, o prefeito analisa a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na pandemia da Covid-19, fala sobre a situação dos municípios baianos e diz torcer para que a população seja logo vacinada.

Ainda na entrevista, o prefeito analisa a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na pandemia da Covid-19, fala sobre a situação dos municípios baianos e diz torcer para que a população seja logo vacinada. 

Tribuna – Qual a sua avaliação do seu antecessor na UPB, Eures Ribeiro?

Zé Cocá – Boa. Eures fez um grande trabalho. Foi um grande entusiasta, trabalhou muito, se articulou bem. Acho que fez sua parte. A UPB é um carro andando, todo mundo tem que andar e fazer sua parte. Passou, quem fez sua história, fez. Eures foi um dos grandes presidentes da história. É um presidente destemido, brigador, batalhador. Não abaixa a cabeça com pequenas causas. Fez de fato um grande trabalho.

Tribuna – Para além da pandemia, quais as principais carências em relação aos municípios da Bahia?

Zé Cocá –  Nós temos um problema seríssimo de INSS. No ano passado, o governo federal parou de cobrar o patronal dos municípios. E, por conta de acabar a questão (o prazo) do decreto, o governo federal vem descontando 100% destes débitos do ano passado nas contas dos municípios. Os municípios da Bahia estão pagando um custo altíssimo. Essa é a nossa pauta. Nós temos também os royalties com o governo do Estado, que já estamos discutindo sobre isso. Precisamos debater com a Assembleia Legislativa da Bahia para que esses royalties sejam divididos de maneira igualitária. Hoje, 75% dos royalties serão para a região produtora, que está localizada na Região Metropolitana. A gente está tentando para que aprove um projeto na Assembleia Legislativa da Bahia para que os municípios de pequeno porte tenham acesso a esses recursos. Hoje, alguns municípios recebem R$ 2mil, R$ 3mil. A gente pode elevar aí mais um pouco.

Tribuna – Como estão as contas desses municípios baianos, de modo geral?

Zé Cocá – É muito complicada, perigosa. Essa questão do INSS, na maioria dos municípios da Bahia, assusta os prefeitos. Tem municípios, como de Jaguaquara, sem FPM de janeiro, fevereiro e março. O município está para entrar em colapso, porque são débitos de muitos e muitos anos que agora a Receita Federal fazer contas. E o município ainda não conseguiu resolver os problemas. É complicadíssima (a situação). Não só lá. É em vários e vários municípios. Tem que resolver urgente, ter uma discussão para mudar essa questão da INSS. Se não mudar e tiver um apoio financeiro aos municípios, vão entrar em colapso.  

Tribuna – E como o senhor avalia a situação da pandemia?

Zé Cocá – É um momento caótico. Muito complexo. A gente precisa que o governo federal acorde em relação a isso e crie uma pauta de organização, com municípios e estados, para que todo mundo fale a mesma língua. Acabar essa guerra política que, infelizmente, está tendo entre o governo federal e estados e municípios. A gente queria uma pauta única. Não existe outro caminho que não seja a vacina para resolver o nosso problema. O governo do Estado fez a aquisição de 10 milhões de doses. A gente precisa que o governo federal fortaleça o mais rápido para que vacina, no mínimo, 50% da população da baiana ainda neste semestre. Se não fizer isso, a gente pode entrar, de fato, no colapso. Já existe pesquisa sobre novas cepas, e no futuro próximo o Brasil (pode) ser um dos problemas mais sérios do mundo. Fizemos uma reunião nessa semana com presidentes de consórcios, e já iria providenciar a compra de vacinas, mas o governo do Estado prontificou a doar 100% das vacinas aos municípios. Isso foi um grande avanço. Agora, é o momento de o governo federal fortalecer a compra para que crie um plano urgente. O Brasil está entre os piores com plano de vacinação do mundo. Precisamos adiantar esse processo.

Tribuna – Quando o senhor acha que teremos uma retomada? Vai demorar muito ainda para os municípios se recuperarem?

Zé Cocá – A vacina é o divisor de águas nessa questão. Se a gente vacinar os brasileiros urgente, nós voltaremos a um crescimento (econômico) urgente. Agora, se a gente retardar muito isso, pode causar um efeito na economia que pode complicar para dois, três anos. A vacina é importantíssima neste momento. Estamos em um muito complexo, momento delicado, os municípios estão fragilizados, os estados e a União também. A União já gastou mais do que arrecadava. Então, a vacina tem que ter voltarmos a normalidades e não ter uma queda brusca na economia.

Tribuna – O senhor acha que conseguiremos vacinar a população em curto prazo de tempo?

Zé Cocá – Eu acho que Deus vai orientar esse presidente da República para que isso aconteça. Se não acontecer, vamos entrar em colapso. Se isso não acontecer (da vacinação pelo governo federal), espero que todo o governador do Brasil tenha mesmo o sentimento do governador Rui Costa. Pela quantidade que ele comprou e pelo que já tem vacinado, a gente já chega nesse semestre, com no mínimo, 40%. Se o governo federal não batesse cabeça, a gente chegaria tranquilamente, no mês de junho, com 50% do povo baiano. Seria o índice ideal. O governador comprou 10 milhões de doses para ser recebida agora em abril, maio e junho. Isso já e um terço da população baiana. Nós já vacinamos a média de 5% a 6%. Se chegarmos a 10% ainda esse mês, vamos para 40%, o que já é razoável. Se o governo federal fizer a parte dele, a gente chega em 50%. 

Tribuna – A população relaxou e por causa disto houve uma explosão de casos e mortes de Covid-19?

Zé Cocá – Com a queda brusca no final do ano e com (a notícia) de que a vacina saiu, criou-se um sentimento de que a pandemia tinha acabado. E aquilo deixou a população nas ruas, festas, paredões, os bares abertos, isso motivou um contágio rápido. Tanto que quando parou tudo isso começou a ter uma queda. Mas por que a queda demora? Porque a Covid precisa de 8, 15 dias para aparecer os sintomas. É um ciclo de no mínimo 15 dias para iniciar uma queda. Teremos uma melhorar dessa semana em diante pelo trabalho que foi feito na Bahia.  

Tribuna – Como o senhor avalia a condução do governo do estado em relação à pandemia, que tem adotado medidas restritivas para atenuar a disseminação do coronavírus? 

Zé Cocá – As medidas que o governador (Rui Costa) tomou são necessárias. Se avaliar a nossa região a gente estava com alto número de casos, depois que fechou as noites e os finais de semanas tivemos uma queda bem considerável. Eu sempre digo que não sou a favor do lockdown total. Sou a favor do parcial como a gente fez no interior. Mas, no caso extremo, tem que ter. Salvador já estava para entrar em colapso. É uma cidade em que o transporte urbano não é muito forte. Então, nem como não aglomerar no transporte. Ao contrário do interior, o transporte urbano não é o principal caminho para chegar ao trabalho, auxilia. Então, em Salvador, era necessário o que foi feito. Mas, no interior, eu sou a favor do lockdown parcial. Os municípios têm que fiscalizar e orientar a população. 

Tribuna – Há pessoas na Bahia morrendo por falta de leitos de UTIs? Já chegamos a esse ponto?

Zé Cocá – A UTI, se avaliar, em Jequié já está com 100% de (ocupação). Se não fosse esse lockdown parcial do governador, a gente estaria em colapso. O que nos preocupa em relação, principalmente em nossa região, é que, com metade dos casos que estávamos (em 2020), e temos hoje o dobro da questão da UTI. Essa cepa é muito mais forte. Então, temos menos casos, mas a taxa de óbito e internamento muito maior. Isso preocupa. Em Jequié, em junho do ano passado, estava com 150, 200 casos diários. Hoje,  estamos com 20, 50, 60. Naquela época, a gente chegou a 70% (de ocupação) de UTI. Hoje, estamos com 100% de UTI com número muito menor de casos. 

Tribuna – O senhor acredita em uma melhora na condução da pandemia com o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga?

Zé Cocá – A gente tem que orar a Deus para que seja melhor. Tinha melhores nomes, nomes consolidados, grandes especialistas. A gente tem que torcer para que o nome seja bom. Que ele foque na vacina. Não existe na área saúde nada mais importante do que a vacina. A vacina que irá mudar.  Sem vacinas não conseguiremos fazer nada. A gente precisa urgentemente (resolver) essa questão da vacina.

Tribuna – E como avalia a atuação do presidente Jair Bolsonaro na pandemia?

Zé Cocá – Eu gostaria de dizer que a gestão está boa, mas, infelizmente, a gente vê um bate cabeça para lá e para cá. Não vemos uma consolidação do sistema. A pandemia cada estado está fazendo sua parte. Quem tinha que ter um plano organizado junto, com governadores e prefeitos, é o governo federal. Não foi feito. Na educação, o governo federal tinha que ter feito um plano educativo muito forte. Não foi feito. Não houve na gestão Bolsonaro uma linha para dizer o que é que isso encaminhou, o que tem mudado a vida dos brasileiros. Acho que o governo federal precisa criar a sua linha de trabalho, porque hoje não foi feita ainda.

Tribuna – Com o senhor retornou do ex-presidente Lula ao jogo político, com a anulação das condenações dele na Lava Jato?

Zé Cocá – A gente sabe que isso é muito relativo. Acho muda a política toda. O presidente Lula tem um nome muito forte no cenário nacional. A vinda dele para o processo muda todo o cenário da política que se desenhava há dias. Ele é um forte candidato. Um homem que tem uma história de luta, presidente por dois mandatos, o presidente mais bem avaliado da história do Brasil, se olhar os dados. Não estamos falando de um cidadão comum. Estamos falando um homem que tem uma história muito grande e, com certeza, será um grande candidato agora em 2022.

Tribuna – O senhor acha que ele irá influenciar a eleição para governador? 

Zé Cocá – Com certeza. Principalmente, no Nordeste. A política no Nordeste muda todo o cenário, com a candidatura a presidente de Lula. 

Tribuna – Qual a expectativa em relação ao posicionamento do PP na Bahia? Continua com o grupo liderado pelo governador Rui Costa?

Zé Cocá – Acho que sim, continua. Rui e Leão são grandes amigos. Eu sempre falo que dizem que há divergências, mas na política e na vida pessoal, as divergências foram feitas para serem superadas. Cada um tem sua opinião, mas o importante é que no final se entenda. Eu vejo isso com Leão e Rui. Conversam muito e o projeto é único que é melhorar a Bahia. Acredito que o Progressista, com certeza, estará marchando com o governador Rui Costa na eleição de 2022.

Tribuna – Qual a chapa ideal então para 2022?

Zé Cocá – A chapa ideal é Jaques Wagner e Otto Alencar, e o nosso senador Cacá Leão.

Tribuna – No aspecto geral, como avalia a gestão do governado Rui Costa?

Zé Cocá – Para mim, a gestão do governador Rui Costa é uma das melhores do Brasil. É um governador seríssimo, fez um trabalho excepcional, vem fazendo. Procurar trabalhar com responsabilidade, transparência. Um dos maiores governadores da história da Bahia.

Tribuna – Em que aspectos o governador Rui Costa conseguiu mais avançar? E o que ficará para a próxima gestão?

Zé Cocá – Eu acho que o governador avançou muito na questão de saúde, mobilidade urbana. Foi um dos governadores que mais avançaram. O mandato dele agora seria focado na Educação. Era um dos maiores focos dele. Acho que foi prejudicado muito pela pandemia. Por conta da pandemia, parou os serviços dele e vem acontecendo essa situação. Nós temos, claro, áreas ainda necessárias. Temos uma dificuldade grande na área educacional, mas avançou muito. Tinha certeza que nesse mandato dele seria um dos maiores avanços na Educação da história. Precisa melhorar muito na Bahia a educação. Melhorou muito, mas está longe do ideal.

Tribuna – A construção da ponte Salvador-Itaparica vai contribuir para fortalecer a economia do estado?

Zé Cocá – Com certeza. A ponte será um dos grandes divisores de água. A região metropolitana concentra quase 70% da arrecadação do ICMS, 50% da riqueza da Bahia, quando leva a ponta liga uma região na outra. Vai trazer a riqueza da região metropolitana e ainda vai aproximar Salvador do interior, para mim, será um dos grandes divisores de água da história da Bahia.

Tribuna – O senhor foi eleito no ano passado prefeito de Jequié. O que tem sido prioridade? Quais as carências?

Zé Cocá – Jequié viveu 20 anos de gestão inoperante. Todas as secretarias municipais estão em prédios alugados, porque os prédios foram se deteriorando e o município não conseguiu resolver nem essa parte. Todos os índices educacionais e saúde estão abaixo do padrão. Tem mais de 50% da zona urbana sem pavimentação. E o que tem está em fase de degradação. Estamos cortando. Gastavam R$ 1,9 milhão com lixo e baixamos para R$ 900mil. Gastava mais de R$ 800 mil com consultoria por mês, e baixamos para menos de R$ 150mil. Tinha uma folha altíssima. Terminou o ano passado com 74%, já baixamos. Cortamos tudo para o município ter poder de investimentos. Estamos conversando com o governo do estado vários projetos de infraestrutura para termos um avanço muito grande. O município tem todas as condições para alavancar muito. O principal ponto é equilibrar as contas públicos. Tem 20 anos sem acontecer isso, e é a nossa meta. E ainda esse semestre vamos mostrar que Jequié pode fazer investimentos com recursos próprios.

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