Petista, no entanto, está em situação mais favorável que Jair Bolsonaro, Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso quando o governismo foi derrotado
Após o baque do primeiro semestre diante dos resultados de pesquisas de opinião, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a se recuperar faltando um ano para a eleição de 4 de outubro de 2026, mas ainda tem desempenho inferior à média dos presidentes que conseguiram se reeleger ou emplacar sucessores. Hoje, considerando o mesmo período de outros ciclos, ele está em situação mais favorável que Jair Bolsonaro, Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso quando o governismo foi derrotado. Registra, no entanto, números parecidos com o pior momento de popularidade que enfrentou em seus primeiros mandatos, logo após o mensalão — crise da qual se reergueu para 2006.
No início deste ano, o presidente viu a aprovação cair na esteira da inflação dos alimentos e da crise do Pix. Depois, fatores externos e internos ajudaram o governo a retomar o fôlego, e alguns institutos apontam agora empate técnico entre o aval e o rechaço à administração. O tarifaço de Donald Trump deu a Lula o discurso de soberania, enquanto o arrefecimento do preço da comida aliviou um pouco a percepção dos eleitores sobre o poder de compra que têm ao irem ao supermercado.
Com foco na baixa renda, a gestão anunciou nos últimos meses medidas assistenciais para a aquisição de gás e o consumo de energia elétrica. Já para a classe média, o avanço no Congresso da isenção do Imposto de Renda a quem ganha até R$ 5 mil, promessa da última campanha, desponta como principal bandeira de entrega para 2026 — a “marca” que faltava a este mandato.
É natural, avaliam analistas, que presidentes melhorem o desempenho durante o ano eleitoral. Afinal, é quando a máquina passa a operar de forma mais veloz, e a campanha em si é o momento em que o incumbente pode prestar contas aos eleitores e explicar o que fez até ali. Às vezes, é suficiente, como para Lula após o mensalão ou para Dilma Rousseff depois do impacto das manifestações de junho de 2013. Em outros casos, como o de Bolsonaro, não bastou.
“Em 2005, Lula caiu ao longo do ano, mas começou a se recuperar em 2006 e foi numa crescente até a eleição com base na melhora da economia e no distanciamento do escândalo”, recorda o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, fundador do Ipespe. — O que produziu a melhora em 2006 foi a economia. Para 2026, o PIB deve crescer menos, mas o que vai abrir a possibilidade de otimismo econômico é a queda da Selic: menos a queda em si e mais a notícia da queda, que cria um “feel good factor”. Além disso, a inflação recuou.
Feito único
A série histórica do Ipsos-Ipec, antigo Ibope, mostra que Lula foi o único na Nova República a conseguir se reeleger um ano depois de ter mais desaprovação que aprovação — como ainda acontece agora, apesar da curva ascendente nas últimas sondagens. Naquele setembro de 2005, o mensalão acabara de ser revelado, e Lula passou a ver a desaprovação aparecer em vantagem numérica, com 49% a 45%. Ainda assim, o cenário configurava empate na margem de erro. O resultado atual no mesmo instituto é de 51% a 44%, com saldo negativo de sete pontos.
No primeiro mandato, o fôlego lulista foi retomado de tal maneira que o presidente chegou à disputa com quase duas vezes mais aprovação que desaprovação. Foi ali que venceu o então tucano Geraldo Alckmin (PSB), hoje seu vice.
Exceções à parte, quem chegou mal a um ano da eleição pode até ter reconquistado força antes da disputa, mas não conseguiu a vitória. É o caso de Bolsonaro, que em setembro de 2021 tinha 68% de desaprovação. Ao longo de 2022, apesar de não ter conseguido virar o jogo, o então presidente foi se recuperando e chegou competitivo ao pleito, quando perdeu para Lula por apenas 1,8 ponto percentual.
Fonte: O Globo
Por Caio Sartori





