Décimo terceiro deve injetar mais de R$ 208 bilhões na economia

Primeira parcela do décimo terceiro começa a ser paga em 30 de novembro

O Brasil vive mais uma crise econômica agora influenciada pela pandemia provocada pelo novo coronavírus, mas um reforço para economia vai chegar ao bolso dos brasileiros este mês. O décimo terceiro salário vai ser pago até o dia 30 de novembro, a primeira parcela, e a segunda até 20 de dezembro. O montante vai impulsionar o poder de compra e movimentar a economia.

De acordo com um estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ao fim de 2020, o pagamento do décimo terceiro salário terá totalizado R$ 208,7 bilhões. O montante é 3,5% menor em relação aos R$ 216,2 bilhões pagos em 2019. Descontada a inflação, o volume injetado na economia apresentará, portanto, um recuo de 5,4% em relação ao total pago em 2019 – maior queda real desde 2012, início do acompanhamento em 2012.

A queda acentuada na atividade econômica e o consequente lento recuo no nível de ocupação associado ao avanço da informalidade contribuíram para a queda neste ano. Segundo os cálculos da CNC, o vencimento médio pago em 2020 (R$ 2.192,71) deverá apresentar um recuo de 6,6% ante o valor percebido em 2019 (R$ 2.347,55).

O economista Antônio Carvalho destacou a importância desse benefício que é dado ao trabalhador haja vista o seu poder de compra dobra neste período do ano. “Falar do décimo terceiro salário é algo recorrente, mas sempre importante porque há uma injeção considerável de dinheiro na economia, principalmente no setor de serviços onde o brasileiro costuma mais gastar o montante recebido. É válido observar também que a grande maioria utiliza esse dinheiro para pagar dívidas e consumir novos produtos, levando-se em conta que o seu poder de compra é dobrado. Vai se verificar certamente um aquecimento nas vendas onde o credor reabastece o seu caixa e o devedor passa a não mais ter um débito e desta forma se habilita fazer novas compras”, destacou. Ele também simulou o valor recebido por um trabalhador cujo salário seja R$ 1600. “Para quem recebe esse montante a primeira parcela será de R$ 800 (sem os descontos de tributos) e a segunda R$ 584 já com os descontos previstos em lei”, disse.

O consultor de economia da Fecomércio – BA, Guilherme Dietze, destacou a lenta recuperação da economia, além de pontuar que a grande parte do décimo terceiro será utilizado para pagamento de dívidas e consumo de alimentos. “Vê-se um cenário bastante desfavorável da economia na Bahia, principalmente pelo lento crescimento além da inflação estar girando em torno de 10% na Região Metropolitana de Salvador. Diante disso, os trabalhadores usarão o décimo para pagar dívidas – a inadimplência na Bahia gira em torno de 30% – e na compra de produtos nos supermercados. A forte alta do preço dos alimentos da cesta básica causou um grande impacto nas famílias, portanto o poder de compra será reduzido. Outro ponto a ser destacado é que 41% da população baiana recebeu o auxílio emergencial, e neste momento, o grupo que vai ser beneficiado é mais seletivo e o valor é mais baixo (R$ 300). Há um cenário de economia frágil, com recuperação setorial e 14 milhões de desempregados “, comentou.

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