Balanço da Operação Ano Novo, da PRF, aponta aumento de 5,5% em sinistros

O balanço divulgado ontem aponta que grande parte das ocorrências foi registrada em trechos de pista simples

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou, nesta segunda-feira (5), o balanço da Operação Ano Novo 2025/2026, que aponta 58 acidentes, com 78 feridos e nove mortes nas rodovias baianas. Entre os dias 30 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, foi registrado um leve aumento de sinistros: na operação do ano anterior, foram 55 acidentes, com 83 feridos e oito mortos; o que representa uma variação anual de +5,5%, -6,4% e +12,5%, respectivamente.

Conforme Fábio Rocha, integrante do setor de comunicação social da PRF, a redução no número de feridos, mesmo diante de um leve aumento de acidentes e mortes, indica uma mudança no perfil dos sinistros registrados durante a operação. “Observamos menos ocorrências com múltiplas vítimas, porém acidentes mais pontuais e, em alguns casos, de maior gravidade”, detalha.

O cenário está, segundo ele, diretamente relacionado a fatores como excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas e ausência de reação do condutor, que tendem a gerar impactos mais severos. “Apesar do esforço operacional da PRF, ainda enfrentamos comportamentos de alto risco que reduzem a chance de sobrevivência em determinados tipos de colisão”, destaca Rocha.

O balanço divulgado ontem aponta que grande parte das ocorrências foi registrada em trechos de pista simples. De acordo com a PRF, esse é um cenário comum em rodovias federais da Bahia, “onde a combinação de fluxo elevado, veículos pesados e imprudência aumenta significativamente o potencial de gravidade dos sinistros”.

No recorte por rodovia, os acidentes concentraram-se principalmente nas vias com maior volume de tráfego: a BR-116 apresentou o maior número de ocorrências, refletindo seu papel como principal corredor logístico do estado; a BR-324, por ter forte característica urbana, onde congestionamentos frequentes favorecem colisões traseiras e acidentes por desatenção; a BR-101, por ser rota estratégica para o litoral, com aumento expressivo de fluxo turístico, especialmente no sentido sul, onde fadiga e excesso de velocidade aparecem com frequência; e as BRs 242 e 110, rodovias com tráfego regional e acessos rurais, exigindo atenção quanto a entradas e saídas não sinalizadas.

Na última sexta-feira (2), um acidente envolvendo um veículo de passeio e um caminhão deixou cinco mortos: a batida aconteceu na BR-135, em um trecho entre Barreiras e Riachão das Neves. As vítimas, que eram da mesma família, teriam partido de Brasília (DF) com direção ao município baiano de Santa Rita de Cássia.

Autuações

Durante a Operação Ano Novo 2025/2026, considerando a soma das autuações registradas em 2025 e 2026, a PRF contabilizou um total de 2.816 autos de infração lavrados nas rodovias federais da Bahia. As infrações mais recorrentes evidenciam comportamentos diretamente associados à ocorrência de acidentes graves: ultrapassagem em local proibido (linha contínua); veículo não licenciado; deficiências no sistema de iluminação e sinalização; condução sem habilitação; além do não uso do cinto de segurança. Segundo a corporação, a fiscalização atua de forma preventiva e repressiva, buscando interromper comportamentos perigosos antes que resultem em sinistros.

O levantamento de fluxo veicular referente ao mês de dezembro aponta que, em 2025, circularam aproximadamente 4,24 milhões de veículos nas rodovias federais baianas. No mesmo período de 2024, o volume registrado foi de cerca de 5,52 milhões de veículos, o que representa uma redução de cerca de 1 milhão de veículos. Dentre os fatores que podem estar associados à esta diminuição, segundo a PRF, estão: redução de deslocamentos interestaduais no período; alterações no calendário de viagens e férias; uso maior de rotas alternativas e modais diferentes; e impactos econômicos que influenciam o volume de transporte de cargas e viagens particulares.

Como pontua a PRF, apesar da redução no fluxo total, os dados indicam que o risco permanece elevado, sobretudo nos períodos de pico e em rodovias estratégicas, reforçando que volume menor não significa, necessariamente, menor gravidade dos sinistros. “A fiscalização e as ações educativas têm avançado, mas a mudança de comportamento no trânsito é um processo contínuo e cultural. Infrações como ultrapassagem proibida e o não uso do cinto de segurança ainda são vistas por muitos condutores como práticas de baixo risco, quando, na verdade, estão entre as principais causas de mortes nas rodovias.

Em rodovias como a BR-116 e a BR-324, que concentram grande fluxo e características distintas de tráfego, o desafio é permanente. A PRF atua com presença ostensiva, tecnologia e educação para o trânsito, mas a efetividade dessas ações depende, sobretudo, da decisão individual de cada motorista em respeitar as normas e dirigir de forma responsável”, completa Rocha.

TRBN Por Livia Veiga

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