Corpos são encontrados em Anguera e caso expõe violência contra mulheres na Bahia

A localização das vítimas ocorreu durante a fase conclusiva da Operação Vale das Sombras, que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em Anguera e Feira de Santana

Os corpos de Letícia Araújo Rodrigues, 22 anos, Carol Ferreira Rodrigues, 21, e Rafaela Carvalho Silva, 15, foram encontrados na manhã desta terça-feira (14), em uma área de mata no povoado de Guaribas, zona rural de Anguera, após nove dias de buscas que mobilizaram a Polícia Civil da Bahia. As três jovens estavam desaparecidas desde o último dia 6 de outubro e o caso provocou forte comoção no interior do estado.

A localização das vítimas ocorreu durante a fase conclusiva da Operação Vale das Sombras, que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em Anguera e Feira de Santana. Dois homens foram presos nesta terça-feira, elevando para cinco o número de detidos desde o início das investigações, sendo três mulheres e dois homens, todos suspeitos de envolvimento direto no crime.

Segundo a polícia, o local onde os corpos foram achados é de difícil acesso e sem cobertura telefônica, exigindo logística especial das equipes. Os corpos das vítimas foram encaminhados ao Departamento de Polícia Técnica (DPT), que irá confirmar oficialmente as identidades e analisar vestígios para esclarecer a dinâmica e a motivação do crime. A hipótese mais provável é de que as jovens tenham sido atraídas para uma emboscada.

A investigação teve início no dia 8 de outubro. No dia 9, a polícia localizou um imóvel usado pelos suspeitos, também na zona rural, onde foram apreendidos objetos das vítimas, roupas queimadas e vestígios compatíveis com sangue. Em 11 de outubro, foram recolhidos celulares e novas provas. No dia 13, uma mulher de 19 anos teve a prisão preventiva decretada.

O prefeito de Anguera, Mauro Vieira, lamentou a tragédia. “Hoje, Anguera amanheceu de luto. A dor é profunda e compartilhada por toda a nossa cidade. Pedimos que Deus conforte as famílias e confiamos no trabalho da Polícia Civil”, disse à Tribuna.

O caso reacendeu o alerta para o crescimento da violência contra mulheres na Bahia. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), mais de 40 feminicídios foram registrados no estado somente este ano. O Atlas da Violência 2024 coloca a Bahia entre os cinco estados com maior número de assassinatos de mulheres no país, com aumento de casos no interior.Entidades de direitos humanos cobram ações urgentes de proteção feminina, sobretudo em áreas rurais e regiões carentes de estrutura policial. Organizações destacam que desaparecimentos seguidos de morte, como ocorreu em Anguera, evidenciam falhas no sistema de prevenção e resposta rápida.

Equipes da Delegacia Territorial de Anguera, da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) e do Núcleo de Inteligência da 1ª Coorpin permanecem em campo. A Polícia Civil afirma que as investigações continuam para identificar todos os responsáveis e garantir a responsabilização dos autores. Enquanto Anguera chora suas filhas, a Bahia pede justiça.

TRBN Tribuna da Bahia

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